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Albano Pais de Sousa - 3º Presidente da CPD/Coimbra

Pais de Sousa     Albano Pais de Sousa

 

"Eu nasci em Cantanhede, mas rapidamente saí porque na altura o meu pai era funcionário dos caminhos de ferro da Beira Alta e nós fomos andando ao longo desta linha da Beira Alta." Assim começa a história de João Pais de Sousa, o homem, o advogado, o político, entre tantos outros papéis que assumiu e ainda hoje, aos 82 anos, continua a assumir.

Nascido numa família de ferroviários acabou por regressar de novo a Cantanhede quando o pai veio assumir, desta feita, um lugar como chefe de secretaria da Câmara Municipal. Albano Pais de Sousa tinha então dez anos e foi em Cantanhede que acabou por construir toda a sua vida familiar e profissional.

Uma forte necessidade intervenção e uma estreita ligação à terra nunca o deixaram sossegar. Em Cantanhede passou pelas direcções de colectividades como o Clube de Futebol "Os Marialvas" (clube em que presidiu também a Assembleia-Geral), foi presidente da Assembleia-Geral dos Bombeiros Voluntários de Cantanhede e passou pela Santa Casa da Misericórdia de Cantanhede, onde esteve 18 anos como presidente da Assembleia-geral.

O currículo não se resume apenas à liderança de colectividades desportivas ou humanitárias. À frente da Câmara Municipal esteve 14 anos. O político assumiu ainda funções enquanto presidente da Comissão Política Concelhia do PSD, presidente da Comissão Política Distrital de Coimbra do PSD, foi membro do então Concelho Fiscal Nacional do PSD, além de membro da Comissão Política Nacional do PSD, com Mota Pinto na presidência do partido.

"É uma vida de um velho que sou já, mas que acho que é uma vida muito rica na possibilidade que tive de exercer toda esta actividade."

Elevação a cidade no currículo

Albano Pais de Sousa é o primeiro presidente que toma lugar na Câmara Municipal de Cantanhede após o 25 de Abril. "Devo dizer que nunca tive esse lugar como uma meta, ou uma ambição. Depois do 25 de Abril fui contactado para ingressar no PPD (não era na altura ainda PSD). Pareceu-me a ler o programa que seria um partido em que me poderia inscrever, inscrevi-me e com alguns amigos e correligionários ajudei a implantar o partido no concelho."

As pessoas junto de quem intervira a favor do partido eram agora as próprias a solicitarem-lhe uma candidatura à presidência da autarquia. "Eu senti-me um pouco na obrigação de corresponder a esse convite na medida em que as tinha convencido a aderirem ao partido", confessa. Assim acontecia a primeira eleição para o triénio 76/77/78.

Se no fim do primeiro mandato deixava a Câmara com intenções de "não mais voltar", razões políticas levavam-no a recandidatar-se em 1982. Até 1992 havia de ser o edil cantanhedense.

É já nos últimos anos de mandato que alcança dois dos momentos que considera "relevantes". Em 1991 via a vila de Cantanhede ser elevada a cidade depois de dotada de vias de comunicação, de um Plano Directo Municipal e um Plano de Urbanização, entre outros. "Fizemos as primeiras piscinas, dotámos Cantanhede de passeios que não tinha, remodelámos toda a rede de abastecimento de água. Criámos condições para que mais tarde o nosso pedido de elevação a cidade tivesse sido atendido pela Assembleia das República", resume.

No mesmo ano, dava o pontapé de saída para outro acontecimento marcante. "Fizemos a primeira EXPOFACIC, que não tinha a dimensão que presentemente tem, mas que se impôs de vez no mercado nacional e que hoje é realmente quase um fenómeno para Cantanhede."

Medalha de ouro sugerida pela oposição

 "Quando numa campanha eleitoral o hoje presidente da República, o doutor Cavaco Silva, veio a Cantanhede, almoçou comigo em minha casa. Veio ele, a ministra da justiça, o médico dele, a mulher e almoçaram aqui comigo. Eu tinha acesso a essas pessoas", recorda.

O trabalho desenvolvido dentro do PSD trouxe a Albano Pais de Sousa várias relações políticas, relacionamento que se tornou vantajoso para o cargo de presidente da Câmara. "Tinha um relacionamento pessoal com estes políticos que me permitia obter vantagens para Cantanhede, sem ter que perder tempo em deslocações a Lisboa", explica. "Não era um problema de favorecer Cantanhede, mas de responder a Cantanhede para as necessidades que tinha e para os projectos que apresentava."

O reconhecimento por parte do próprio partido havia chegado logo no primeiro mandato em que esteve à frente da autarquia cantanhedense. A tal ponto que Albano Pais de Sousa foi escolhido pelo PSD para representar Portugal em Estrasburgo, na Conferência dos Poderes Locais e Regionais da Europa, cargo que exerceu durante três anos.

O mesmo reconhecimento voltou a ser demonstrado há cerca de dois anos atrás quando a Câmara Municipal lhe atribuiu a medalha de ouro. O facto por si, já o deixa satisfeito. A alegria maior surge pelo facto de ter sido uma condecoração sugerida por um elemento não do próprio partido mas da oposição, confessa.

Advogado, mas não em Angola

De Governador Civil de Coimbra, a deputado foram alguns os convites que recebeu e rejeitou por ser incompatíveis com a profissão de advogado, profissão que sempre se recusou a abandonar.

É essa mesma incompatibilidade com a profissão de advogado que em 1992 o leva a abandonar o cargo de presidente da Câmara Municipal. "Em termos políticos, não posso dizer que tenha tido grandes contrariedades, que não fosse a queixa feita em relação ao exercício de presidente da Câmara, como incompatível com a profissão de advogado. Porque resultou de uma denúncia que, se por um lado me retirou da Câmara, por outro, me deu a alegria de regressar de vez à profissão."

Em termos profissionais, toda a vida foi advogado. Já lá vão 55 anos de carreira, de entre os quais nove foram acumulados com as funções de vogal e depois presidente do Conselho Distrital de Coimbra da Ordem dos Advogados.

No currículo há histórias caricatas. A maior de todas aconteceu quando em 1959 é solicitado para defender uma causa em Angola. Se em Portugal era um profissional inscrito na Ordem dos Advogados, já no tribunal de Novo Redondo, Cuanza Sul, não era sequer reconhecido como advogado. "Tive que fazer um registo lá para poder advogar, provando que era licenciado, que era inscrito na Ordem", recorda.

Pai de seis filhos

Porque "é importante trabalhar"ainda hoje continua a exercer. "O trabalho dá-nos alento para viver", explica. Ainda mais quando se faz algo de que sempre se gostou.

Já no plano familiar é casado e pai de seis filhos. "Ainda agora no período pascal éramos 24 na minha casa. É uma família que continua unida e não é só a geração dos filhos, é também a geração dos netos. Isso é extraordinariamente gratificante para mim e para a minha mulher, que tem aqui tanto ou mais valor do que eu."

Já nas horas livres é à leitura que dedica a sua atenção. Prova disso são os livros poisados nas estantes do escritório, que aguardam os momentos deixados pelos processos empilhados na secretária.

Todos os dias lê pelo menos dois jornais, um nacional e um regional. Nos livros, além das obras necessárias à profissão, a escolha recai sobretudo sobre obras de história e ficção.

 

Escrito por Cátia Figueiredo em 2 de Abril de 2008

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